
Panetone
É fato que ele nasceu na Itália. Uma das histórias mais aceitas é a
de que o primeiro panetone saiu de um dos fornos das diversas padarias
de Milão, em meados de 1400 d.C. De acordo com essa versão, que já
ganhou status de lenda, um jovem padeiro, apaixonado pela filha de seu
patrão, elaborou uma versão rudimentar do pão doce para impressioná-lo.
A iniciativa deu certo e a receita fez o maior sucesso entre os
clientes do lugar, que pediam insistentemente pelo “Pani de Toni” (pão
do Toni). Com o tempo, a palavra evoluiu para “panattón” (vocábulo
milanês) e depois para “panetone” (italiano).
Após passar por diversas transformações ao longo dos séculos, o ”pão
do Toni” ganhou o seu aspecto atual no século 18, com o formato circular
e a disposição das frutas cristalizadas. Há também variações feitas com
chocolate, sorvete, e também panetones salgados.
Peru
Um dos pratos mais famosos da ceia de Natal, o peru tem sua origem
relacionada aos povos que habitavam a América do Norte pouco antes do
“descobrimento” pelos europeus. Natural das florestas da América do
Norte, a ave já era domesticada e criada pelos astecas e pelos índios
norte-americanos há tempos, sendo tratada com um verdadeiro prêmio
quando uma tribo dominava outro território.
Feito em banquetes, o peru era servido acompanhado por cebolas,
alho-poró e um molho a base de pimenta. A ave (que até então se chamava
“galinha da Índia”) foi levada para o velho continente e em pouco tempo
substituiu o cisne, o ganso e o pavão como ave oficial da ceia natalina.
Lentilha
A lentilha é uma comida tradicional de fim de ano devido a uma
superstição que herdamos dos imigrantes italianos, que acreditavam que
comer lentilha no final do ano traria sorte. O ditado que diziam era
“Lentilha no ano novo, dinheiro o ano todo”. E hoje comemos ela tanto no
ano novo como na ceia de natal, afinal, se dá sorte, porque não
aproveitar?
Fios de ovos
Segundo vários autores, os fios nasceram no Mosteiro de S. Bento da
Ave-Maria, no Porto. Este mosteiro foi fundado em 1518, sob a tutela de
D. Manuel, e era povoado por freiras beneditinas. Mas nossos queridos
fios amarelos resolveram viajar pelo mundo para fixarem-se como tradição
em outras paragens. No Brasil, por exemplo, ficaram tão famosos que é
difícil não ver um tender enfeitado com fios de ovos nas mesas ou mesmo
nas propagandas televisivas natalinas.
O doce já teve alguns outros nomes antes de se estabelecer como fio
de ovos, como: “ovos em fio”, “ovos de fio”, “ovos reais”, “ovos de
aletria” ou “aletria de ovos”. Notável, no entanto, é que, ao longo dos
anos, se desenvolveu como doçaria autônoma e se expandiu para,
primeiramente, complementar outros doces e salgados. Ao que se sabe, os
fios de ovos surgem como elemento de enfeite ou guarnição de pratos
salgados a partir do século XVII. Na época, havia uma moda ou apreço por
composições agridoces e há registros de fios de ovos guarnecendo
galinhas, carneiros, pombos, frangos e cabritos.
O delicioso doce de natal que faz a gente ganhar calorias sorrindo e
satisfeito vem de outro continente. Apesar de tão brasileira, a rabanada
é uma tradição europeia. A tal da rabanada teria surgido como uma forma
de aproveitar os restos de pão duro, para não serem jogados fora.
Segundo Luís da Câmara Cascudo, em seu livro “Dicionário do Folclore
Brasileiro”, o nascimento deste prato é associado a Portugal, e os
portugueses teriam trazido a tradição para o Brasil, então colônia. No
entanto, é possível provar a iguaria em diversos países, como nos
Estados Unidos (French Toast), na Inglaterra (Eggy Bread), e na França
(Pain Perdu).
Outro nome dado à rabanada é de “Fatia da Parida”, isto porque
acreditava-se que o doce auxiliava na produção de leite materno. Seja
simples, com leite condensado, com chocolate, brigadeiro, ou qualquer
outra complementação, a rabanada não pode faltar na mesa de muita gente
no final de ano.
Pernil
O pernil tem origem europeia, e assim como a lentilha, também tem uma
superstição no seu uso na ceia de natal, que vem do interior de São
Paulo: Come-lo nas festas de fim de ano faz a vida ser empurrada para a
frente, já que ele, diferente de outras aves, não cisca para trás.
Frutas secas
A apresentação de uma grande variedade de frutas secas no Natal é
mais do que uma questão gastronômica. Elas têm uma ligação muito forte e
particular com o solstício do Inverno. Na antiga Roma, eram um presente
habitual durante as celebraçõesEram especialmente apreciados pelas
crianças, que os valorizavam quer como brinquedos quer como comida.
Entre as classes sociais mais elevadas, as frutas secas tornavam-se mais
especiais por serem cobertos de ouro, e estas mesmas frutas douradas
serviam tanto como presentes quanto como decorações.
Para os romanos, cada tipo de fruta seca tinha um significado
especial. As avelãs evitavam a fome, as nozes relacionavam-se com a
abundância e prosperidade, as amêndoas protegiam as pessoas dos efeitos
da bebida. Por isso, as frutas secas que colocamos à mesa no Natal
significam mais do que simples alimentos. Tradicionalmente, fazem parte
de um antigo costume romano que promete a ausência de fome, pobreza e
protege-nos contra os excessos da bebida.
Bolinho de bacalhau
Assim como outros pratos que compõem a ceia brasileira, o bolinho de
bacalhau tem sua origem atrelada aos colonizadores da América. Neste
caso, os portugueses. Considerado uma das heranças da culinária
mediterrânea, o petisco já era consumido em larga escala há pelo menos
dois séculos atrás.
Feito com batata e lascas do peixe, que é fartamente encontrado nos
mares da região, o bolinho teve sua primeira versão oficial documentada
em 1904, no livro Tratado de Cozinha e Copa, escrito pelo oficial português Carlos Bandeira de Melo, que adotava o pseudônimo de Carlos Bento de Maia.
Sagu
O sagu, hoje uma sobremesa típica da ceia natalina brasileira,
começou a ser produzido no Brasil no inicio do século XX pelos irmãos
Lorenz descentes de alemães, fabricantes de fécula de mandioca, sediados
em Indaial/SC que descobriram a fórmula de fazer pequenas bolinhas de
mandioca. A partir da década de 1950, a empresa Cassava com sede em Rio
do Sul/SC passou a comercializar o produto que acabou se transformando
na principal sobremesa dos italianos da serra gaúcha.
Apesar dessa sobremesa não existir na Itália, os imigrantes italianos
se identificaram muito com o sabor do vinho levemente adocicado,
enriquecido com especiarias onde flutuam delicadas bolinhas translúcidas
de mandioca. Para o deleite final acrescentaram ao serviço algumas
colheradas de creme inglês.
Salpicão
O salpicão é uma tradicional salada brasileira, cuja origem
atribui-se à cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul. O prato é conhecido
pela mistura de legumes e carne de ave desfiada, mas podem existir
variações da receita em torno dos ingredientes citados, sendo
basicamente composto de frutas como abacaxi, cereja, maçã verde e uva
passa, cenoura ralada, batatas, maionese, salsão, pimentão de várias
cores, carne de frango ou peru e temperos comuns como sal pimenta.
Fonte: Seleções Reader Digest
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